Nunca me senti tão livre e tão vivo

Em matéria publicada no O Jornal de hoje, dia 10 de fevereiro de 2016, Douglas Ramon Gastmann, integrante do grupo Giro di Vale conta sua aventura de mais de 3200km com a bike por 62 dias na Nova Zelândia. Confira a matéria completa escrita por Édila Souza reproduzida logo abaixo e mais algumas fotografias dessa incrível jornada.

Ter apenas uma bicicleta, com utensílios básicos, como “porto seguro” durante 62 dias consecutivos, em um país estranho, não é um desafio para qualquer um. Um concordiense teve o prazer e a grande experi- ência de viver isso. “Nunca me senti tão livre e tão vivo”, afirma Douglas Ramon Gastmann, 28 anos, engenheiro ambiental de profissão, mas em buscas de novas experiências na Nova Zelândia. Ele já tem muita história para contar dos últimos 10 meses que passa fora do Brasil. Aventura para ele não é novidade, pois percorreu de moto mais de 25 mil quilômetros pela América do Sul, quando come- çou a “pegar gosto” por bicicletas e pela prática do ciclismo.

“Nas minhas viagens encontrei pessoas viajando de bicicleta, a partir dai comecei a pesquisar mais e acompanhar outros brasileiros que viajam o mundo de bicicleta. E isso se transformou em um sonho para mim”, conta Douglas. Segundo ele, na decisão por colocar o sonho em prática na Nova Zelândia pesou a questão segurança e atrativos. “Decidi fazer a viagem aqui na NZ, porque é um país muito seguro, pequeno e cheio de belezas naturais. Achei que seria a melhor forma de conhecer o país com mais calma e interagir com os locais”, relata o concordiense, que chegou a perder cinco quilos, ganhando mais força e resistência nas pernas.

A jornada de Douglas come- çou em cinco de dezembro de 2015, em Queenstown, na Ilha Sul, onde atualmente reside, e seguiu até cinco de fevereiro deste ano, quando chegou em Mount Maunganui, na Ilha Norte. Ele próprio traçou o caminho a ser percorrido, que foi sendo ajustado durante a viagem. Durante parte do trajeto compartilhou da companhia de outras pessoas que viajavam de bicicleta. Também conheceu muitas pessoas, que lhe ofereceram apoio com palavras de incentivo ou até mesmo abrindo a portas de suas casas para abrigar um estranho aventureiro. “Não tenho os valores exatos, mas foi uma viagem muito barata se comparada a uma viagem de carro. Meus gastos eram com comida e hospedagem, mas acabei dormindo mais da metade das noites de graça”, destaca.

Durante toda a viagem, a bicicleta foi o único meio de transporte de Douglas, mas, além disso, foi também sua casa. “Tive que desapegar de muita coisa para poder carregar comigo somente o essencial e viajar o mais leve possível. Basicamente toda minha bagagem não passava de 20 Kg, incluindo todas as ferramentas e peças sobressalentes para a bike. Também levei equipamento de camping como barraca, saco de dormir, colchão inflável, fogareiro, panelas, entre outros. Passei todo esse tempo com as mesmas e poucas roupas, sem nenhum luxo ou coisas desse tipo”, relata o concordiense, ressaltando que a barraca foi o único teto na maioria das noites em que passou em campings, na beira da estrada ou no quintal de desconhecidos.

“Isso tudo me mostrou que não preciso de muito pra ser feliz, encontrei a felicidade nas coisas mais simples que a vida pode oferecer”, destacou Douglas. Para ele, esta foi a maior e melhor experiência da viagem. “Ao longo do caminho tive o prazer de dividir alguns quilômetros e boas histórias com outros ciclistas. Também tive a felicidade de conhecer outras tantas pessoas maravilhosas, que me ajudaram, seja com uma palavra de incentivo ou me recebendo em suas casas, como se eu fosse um membro da família”, destacou.

Sem problemas

Além de companheira, a bicicleta não trouxe nenhum problema durante a viagem “Ela aguentou o tranco, sem nenhum probleminha, nem ao menos um pneu furado. Com certeza eu sou abençoado, que vida linda”, afirmou o concordiense, que diz não pretender retornar em breve ao município, apesar de ter toda a família por aqui.

Permanência

“Meu visto vence em dois meses, mas pretendo conseguir um trabalho e ficar por mais um tempo. Não tenho nada definido ainda. Vim para ficar três meses, mas já estou há 10 meses. Por aqui, trabalhei na colheita do kiwi, operador de empilhadeira, em fábrica de cimento e empacotador de frutas e verduras, numa distribuidora de alimentos”. Douglas não deve encerrar suas aventuras, pois pretende fazer outras muitas. “Já tenho várias ideias na cabeça, mas antes preciso decidir minha vida aqui na Nova Zelândia”, finaliza.

Por Édila Souza
O Jornal, quarta-feira, Concórdia, 10-02-2015

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